Estrutura arbórea de florestas altomontanas de serras do Sul do Brasil

16/01/2012

Maurício Bergamini Scheer, Alan Yukio Mocochinski e Carlos Vellozo Roderjan

RESUMO

O presente trabalho teve os objetivos de agrupar informações sobre a estrutura arbórea da floresta altomontana da Serra do Mar paranaense e de compará-las com as de florestas altomontanas de outras serras do Sul e Sudeste do Brasil. Foram realizados levantamentos fitossociológicos em diversas montanhas de quatro importantes serras (ou subserras) do Paraná. Nas quatro subserras foram amostrados 2294 indivíduos (PAP ≥ 10 cm) pertencentes a 28 famílias, 43 gêneros e 78 espécies. Foi observada maior riqueza de espécies na amostragem da Serra Gigante (41 espécies), seguida pelas serras da Prata (37), da Igreja (34) e do Ibitiraquire (26). A altura média obtida para os indivíduos foi de 4,8 m, o PAP médio de 22,9 cm, a densidade média de 4779 ind/ha, a área basal média de 33,5 m2/ha e o índice de diversidade de Shannon total de 2,68 nat/ind. Agrupando informações de estudos realizados em outras subserras paranaenses, totalizando 11 levantamentos e 204 parcelas (10200 m2),  obteve-se uma matriz com 75 espécies determinadas, onde as cinco com maior porcentagem de importância estrutural foram Ilex microdonta, Siphoneugena reitzii, Drimys angustifolia, Ocotea porosa e Ilex chamaedrifolia. Os trechos amostrados na Serra do Mar do Paraná, apresentaram menor riqueza e diversidade que os da Serra da Mantiqueira (MG) e maior que os dos Aparados da Serra Geral (SC). Tais diferenças, possivelmente, estão relacionadas às influências antrópicas, das distâncias geográficas, dos diferentes centros de endemismo, dos entornos tropicais ou subtropicais dominantes, das feições geomorfológicas, entre outros fatores.

Palavras-chave: fitossociologia; floresta altimontana; Floresta Atlântica; floresta nebular tropical/subtropical

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Ilhas de vegetação em afloramentos no Morro do Pai Inácio, Chapada Diamantina

29/11/2011

Abel Augusto Conceição, Ana Maria Giulietti e Sérgio Tadeu Meirelles

RESUMO:

Ilhas de vegetação rodeadas de superfície rochosa foram estudadas em dois platôs do Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina. Tais platôs possuem afloramentos de quartzito-arenito entremeados por solos arenosos e ácidos, situados nas porções mais elevadas do Morro, entre 1.100 e 1.170 m acima do nível do mar, sob clima com estação seca bem definida. As ilhas foram assumidas como agrupamentos de uma ou mais espécies de plantas vasculares limitados pela superfície rochosa sem plantas vasculares em toda borda. O estudo incluiu 39 ilhas de vegetação de diferentes tamanhos em cada platô, onde predominaram ervas e arbustos de 63 espécies, sendo 22 comuns a ambos os platôs. Foram constatadas riquezas similares nas ilhas de ambos os platôs, sendo a maioria delas formada por até cinco espécies. O agrupamento das espécies revelou quatro grupos, dois deles constituídos por espécies características das ilhas mais expostas ao sol, enquanto outro é constituído por espécies mais relacionadas aos locais mais sombreados e um quarto relacionado a espécies mais generalistas. Diferenças na composição e abundância de espécies entre os platôs sugerem a existência de diferenças ambientais e isolamentos, interferindo na distribuição espacial das espécies nas ilhas de vegetação em cada platô.

Palavras-chave: campo rupestre, fitossociologia, afloramento rochoso, inselberg,  ilha de vegetação

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Significado ecológico da orientação de encostas no maciço da Tijuca

29/11/2011

R R Oliveira, A S Zaú, D F Lima, M.B. R. Silva, M C Vianna, D O Sodré, P D Sampaio

Resumo:

Apresentando uma orientação geral no sentido Nordeste-Sudoeste, o Maciço da Tijuca tem a sua maior extensão dividida em dois quadrantes: as encostas voltadas para o Norte e para o Sul. No sentido de se avaliar o significado ecológico destes domínios foi feito o estudo de algumas condições bióticas e abióticas no Morro da Boavista (716 m.s.m.), no Maciço da Tijuca. Quanto à distribuição das espécies nas vertentes, observa-se que do total, 25% são comuns às duas encostas, sendo que 34% são de ocorrência exclusiva da vertente Norte e 41% são exclusivas da Sul. Quanto à temperatura do ar constatou-se que as temperaturas máximas ocorreram em 100% dos casos na vertente Norte, sendo a diferença média das máximas entre as duas vertentes de 3,6°C. A umidade da serrapilheira na encosta Sul é 42% maior que na Norte, sendo necessários 3,1 dias para perda de 50% da umidade inicial contra 1,9 dias na encosta Norte. A isto atribui-se a maior susceptibilidade a incêndios florestais do lado Norte e,  à conjunção deste fator com as taxas mais elevadas de deposição de poluentes, a progressiva destruição da cobertura florestal desta encosta.

Palavras-chave: maciço da Tijuca, ecologia vegetal

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Geoambientes do Parque Estadual do Ibitipoca, MG

22/11/2011

Herly Carlos Teixeira Dias, Elpídio Inácio Fernandes Filho, Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud Schaefer, Luiz Eduardo Ferreira Fontes e Leonardo Barros Ventorim

RESUMO:

Foram identificados, mapeados e caracterizados os geoambientes do Parque Estadual do Ibitipoca, Minas Gerais, com o objetivo de subsidiar o manejo ecológico da área. Para este fim, realizaram-se coletas de solos, em pontos georreferenciados por GPS (Global Positioning System), fotointerpretações a partir de ortofotos e uso de mapas planialtimétricos, além de intenso reconhecimento de solos no campo. Oito geoambientes foram identificados e caracterizados: Patamares com Espodossolos, Cristas Ravinadas, Escarpas, Grotas, Mata Baixa com Candeia, Mata Alta sobre Xisto, Topos Aplainados e Rampas com Vegetação Aberta.

Em cada ambiente a vegetação associada é fortemente condicionada pela profundidade do solo e pelo tempo de permanência de água no sistema. Os ambientes de mata, tanto sobre xistos quanto sobre quartzitos, sofrem menor estresse hídrico, seja por melhores condições físicas do solo e maior retenção de água, seja pela presença de ambiente mais ombrófilo e úmido, como nas Grotas. Os geoambientes florestados possuem concentrações de P e K mais elevadas do que nos ambientes campestres abertos. No geoambiente de Mata Baixa com Candeia, a pobreza química do substrato parece ser o impedimento à ocorrência de uma floresta mais densa. Os Campos de Altitude ocorrem nas altitudes mais elevadas no PEI, sendo desenvolvidos sobre solos mais profundos do que sob campos rupestres, onde há freqüente exposição da rocha ou solos muito rasos.

Palavras-chave: ecologia da paisagem, geoambientes, Parque Estadual do Ibitipoca, mata nativa e relação solo vegetação.

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O que são campos rupestres e campos de altitude nos topos de montanha

22/11/2011

Marcelo Ferreira de Vasconcelos 

RESUMO:

Os campos rupestres e os campos de altitude do leste do Brasil ocorrem nas partes mais elevadas da Cadeia do Espinhaço, da Serra da Mantiqueira e da Serra do Mar. Uma vez que há certa confusão sobre a caracterização e os limites geográficos destes dois tipos de vegetação, o objetivo deste trabalho é apresentar uma síntese das opiniões sobre tais ambientes campestres, discutindo sobre a história de suas denominações, localização geográfica, aspectos fisionômicos e afinidades biogeográficas. Embora os campos rupestres e os campos de altitude apresentem certas semelhanças fisionômicas e compartilhem alguns táxons vegetais, ambos os tipos de vegetação devem ser considerados distintos.

Palavras-chave: biodiversidade em montanhas, fitofisionomia, fitogeografia

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Unidades de paisagem no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ

26/08/2011

Sandro Nunes de Oliveira, Osmar Abílio de Carvalho Júnior, Éder de Souza Martins, Telma Mendes da Silva, Roberto Arnaldo Trancoso Gomes, Renato Fontes Guimarães 

RESUMO

A análise da heterogeneidade da paisagem é fundamental para o planejamento do ecoturismo porque estima uma relação ótima entre a conservação e as alternativas turísticas. A metodologia de paisagem possibilita descrever não só a beleza cênica, porém também o grau de estabilidade do sistema ecológico. A pesquisa da paisagem para o ecoturismo integra os diferentes componentes naturais (relevo, condições climáticas, solo, cobertura da vegetação, etc.) e avalia suas inter-relações com as características do destino turístico. A geomorfologia é sempre considerada um dos fatores mais importantes que controla a heterogeneidade espacial em áreas com alta variação topográfica. Nesse caso, os parâmetros do relevo indicam a distribuição da temperatura e da umidade, exposição à direção de vento, vegetação, habitat entre outros. A área de estudo é o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, um dos mais visitados no Brasil, com um vasto número de opções para visitantes de ecoturismo, tais como diversidade ecológica, significado histórico e oportunidades de recreação. O presente artigo objetiva definir unidades de paisagens doparque nacional da Serra dos Órgãos a partir de sensoriamento remoto e atributos de terreno. Além disso, o artigo analisa a distribuição das atrações turísticas em relação às unidades de paisagem. Assim o procedimento de análise considera os tipos de paisagem, estruturas espaciais e limitações. O método da análise de paisagem para o ecoturismo permitiu uma perspectiva holística como também uma avaliação do potencial de recreação. 

Palavras-chave: Unidades de Paisagem; Modelo Digital de Terreno; Parque Nacional da Serra dos Órgãos; Mata Atlântica; relação solo-vegetação; ecoturismo.

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Características de organossolo da Floresta Altomontana do morro Anhangava

19/08/2011

Rodrigo Aquino de Paula 

RESUMO: 

Este trabalho teve como objetivo avaliar a esclerofilia, os teores e eficiencia na utilizacao dos macronutrientes foliares da especie l. microdonta (Reissek) – AQUIFOLIACEAE, na Floresta Ombrofila Densa Altomontana do morro do Anhangava, Quatro Barras, PR. A esclerofilia foi correlacionada estatisticamente com as caracteristicas quimicas do Organossolo sobre o qual a floresta se desenvolve e com os teores de nutrientes das folhas. Embora correlacoes entre a esclerofilia e os teores de nutrientes do solo e das folhas tenham se mostrado fracas e nao significativas, concluiu-se que a esclerofilia observada pode ser atribuida aos baixos teores de P no solo.

Palavras-chave: floresta nebular; macronutrientes; eficiencia na utlização de nutrientes; solos orgânicos.

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